BIM – Mudança de Paradigma

 Se o método CAD (“Computer-Aided Design”) é o equivalente na nossa era digital a projetar desenhando com lápis e papel em uma prancheta, o conceito BIM (“Building Information Modeling”) seria o equivalente a projetar construindo peça por peça, uma maquete.

 

À primeira vista, a característica mais evidente do sistema BIM em relação ao seu predecessor é o desenvolvimento e construção do projeto em um ambiente virtual em três dimensões, em vez de utilizar somente duas dimensões como é de costume no mundo CAD. Contudo, apesar de ser uma transformação significativa que auxilia o profissional a sempre estar visualizando e explorando o desenvolvimento de um projeto como ele vai ser eventualmente construído, em “3D”, a diferença entre as duas metodologias vai muito além da parte estética.

 

“A comparação entre o AutoCAD e a modelagem BIM não é entre dirigir um carro menor e um carro maior, mas entre pilotar um avião com manche e outro com joystick” – Fabio Villas Boas, Diretor Técnico, Tecnisa Construtora

 Office Worker - Engineer

http://perspectives.3ds.com/design/not-your-father%E2%80%99s-drafting-table/

A maioria dos projetos desenvolvidos atualmente obedece a uma evolução linear.  O arquiteto, auxiliado por um contato inicial com o cliente, sugere, desenvolve e aprimora uma proposta.  Quando o design encontra-se de certa forma “concretizado”, ele é repassado para engenheiros e especialistas para que cada um, de cada vez, inclua no projeto já semiacabado a sua contribuição.  A metodologia BIM permite, e até mesmo sugere, um processo diferente.

 

A possibilidade de compartilhar, integrar, utilizar e modificar no mesmo espaço virtual as maquetes das diferentes disciplinas sugere e instiga um diálogo paralelo entre o arquiteto e demais colaboradores durante o processo de criação.  Requerendo assim uma participação contínua e progressiva entre todas as disciplinas, possibilitando que cada profissional tenha uma participação ativa no desenvolvimento do projeto.  Sugerir e contribuir, em vez de somente reagir.

 

Um dos objetivos desse princípio colaborativo da maquete virtual é que ele continue além da fase de elaboração do projeto.  A empresa selecionada para a fase de construção pode, por exemplo, utilizar a maquete para fazer levantamentos quantitativos de materiais ou explorar possíveis soluções para interferências ou modificações encontradas durante a obra.  Reformas e atualizações de instalações teriam a maquete virtual como ponto de partida, o que possibilitaria uma análise mais rápida e precisa das alterações.

 

A decisão de integrar o padrão BIM não se resume somente a compra, instalação e aprendizado de novos softwares.  Esta evolução requer uma atualização em todos os aspectos relacionados a arquitetura e engenharia, desde a organização e colaboração na produção de projetos ao método de execução de obras.  Quebrar paradigmas já estabelecidos e sedimentados nunca é um desafio simples ou rápido.  Porém, a nossa escolha é simples: ou acompanhamos a evolução da nossa indústria, seus novos patamares e avanços tecnológicos, ou seremos tão úteis como a prancheta e o lápis em um mundo digitalizado e globalizado.

 

Renan Balzani e Rodrigo Meira

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