Filme – Eames: o Arquiteto e a Pintora

Muitos não conhecem esse criativo casal pelos nomes mas certamente conhecem alguma de suas criações. Charles, com formação em arquitetura¹ e Ray artista, produziram muito e seus trabalhos se tornaram onipresentes ao longo do tempo, sejam pelos mobiliários criados propriamente, seja pela forma como efusivamente foram copiados, o sintoma mais claro de um trabalho relevante.

Na década de 50 a arquitetura moderna já sofria com as primeiras críticas mais contumazes ao movimento, sem incorrer em grande ruptura o desenho de mobiliário ainda estava bastante ligado à desenhos tradicionais. Os preceitos de leveza, clareza estrutural e produção em massa, não haviam chegado à menor escala. O casal Eames mudou tudo isso.

Imbuídos de uma visão holística o trabalho da dupla percorria desde pinturas, filmes, fotografia, brinquedos, mobiliário, componentes industriais, cenografias até finalmente arquitetura, mas foi no desenho de seus móveis, principalmente cadeiras, que deixaram sua marca mais indelével. Antes mesmo do conceito de ergonomia se difundir eram anatômicas e partiam do pressuposto de, nas palavras da dupla: “oferecer o melhor para a maioria pelo mínimo.”

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Charles se definia como arquiteto mas é tido como um dos principais nomes da história do design. A residência do casal construída em fins dos anos 40 como parte de uma encomenda da revista “Arts & Architecture” integrou uma série de projetos que buscavam responder como seria o viver contemporâneo em residências funcionais e acessíveis economicamente. Chamada Case Study House #8 veio a se confirmar como uma obra seminal, assim como suas cadeiras viriam a ser.

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Casa Eames – Case Study #8 – Sala de Estar

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Pintura de Ray Eames

O filme percorre toda essa história e humaniza a biografia desses dois gênios, mostra seus percursos e eventualmente suas falhas. O aspecto da vida privada do casal é abordado e também se toca no tema de como na bibliografia produzida pela imprensa o papel de Ray era minimizado. Talvez fruto de um forte sexismo de uma época aliado ao papel de frontman desempenhado por Charles. De todo modo é dito que o próprio Charles recorrentemente dizia:

Tudo que eu posso fazer, Ray pode fazer melhor.

A verdade, como o filme mostra, é que não é possível dissociar o trabalho dos dois. Toda sua produção reflete a riqueza e multiplicidade de um constante criar em cumplicidade e complementariedade.

A síntese de um trabalho de uma vida, ou melhor de duas. Vale a pena assistir.

Eduardo Sousa e Silva

nota:

1 – Charles Eames nunca concluiu seus estudos em arquitetura, ao que parece sua defesa dos arquitetos modernos na Universidade de Washington St. Louis, em particular de Frank Lloyd Wright  não agradava muito, optando por se afastar, ou sendo afastado, não se sabe ao certo, após dois anos de estudos.

fontes e imagens:

http://www.eamesoffice.com/

http://www.thegorgeousdaily.com/eames-house-in-pacific-palisades/

http://www.dearhancock.com/blog/tag/the-painter-and-the-architect

 

 

 

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