10 passos para uma cidade mais “caminhável”

1 – Coloque os carros no lugar devido

O automóvel é um meio e não um fim, o desenho de nossas cidades deve colocar o pedestre em primeiro lugar.

2 – Misture os usos

Para as pessoas andarem é preciso ter um motivo para elas andarem e isso só é possível ao disponibilizar uma variedade de usos – opções – ao alcance de uma caminhada confortável e não de uma prova de resistência.

3 – Faça o estacionamento corretamente

É inegável a influência do carro em nosso dia a dia, a disponibilidade de estacionamento e sua correlação com seu custo, se bem pensada pode assegurar a vitalidade de uma área urbana ou sua morte. Em outras palavras, estacionamentos ainda serão precisos, mas pode esquecer a ideia de estacionamento grátis.

4 – Deixe o transporte funcionar

Áreas caminháveis podem sobreviver sem mobilidade, mas não cidades. Para interligar as zonas mais interessantes de uma cidade e criar um senso de continuidade entre espaços, não necessariamente próximos, é preciso facilitar com que as pessoas multipliquem sua capacidade de deslocamento de modo tão natural e confortável que elas sequer se deem conta de estarem em trânsito.

5 – Proteja o pedestre

Deixe o pedestre a salvo. Faça calçadas. Eventualmente, em alguns casos, ao contrário do que o senso comum diria, abolir sinais e hierarquias de vias pode ser uma boa ideia.

6 – Dê as boas vindas às bicicletas

Bicicletas florescem onde pedestres são acolhidos. A bicicleta expande o raio de alcance do pedestre além de diminuir o número de carros na rua. Quando dirigindo, respeite o ciclista como se fosse você a pessoa na bicicleta.

7 – Dê forma aos espaços

Áreas abertas em tese são sempre bem vindas, mas pedestres sentem-se bem com a sensação de acolhimento. Uma amplitude desmedida ao invés de qualificar o espaço pode afastar as pessoas, por vezes até uma calçada muito larga pode ser prejudicial.

8 – Plante árvores

Poucas coisas podem ser tão agradáveis quanto uma rua arborizada. Os especialistas em trânsito dirão que elas oferecem perigo aos carros, mas a verdade é que vias com árvores pela sensação de fechamento tem sua velocidade média de diminuída. Os motoristas desaceleram. Por fim as árvores oferecem uma transição amigável entre carros e pedestres, além de capturar CO2, aumentar a infiltração de água no solo e por fim desacelerar o fluxo de águas pluviais para as redes coletoras da cidade.

9 – Faça fachadas estimulantes e amigáveis

Esqueça estacionamentos e empenas cegas, estimule os sentidos das pessoas andando em frente sua fachada, pense em detalhes, reentrâncias na escala humana, não na escala do carro. Abuse das vitrines. Ruas comerciais estimulantes por todo o mundo normalmente possuem uma fachada/vitrine nova a cada 6 m, o que significa novas atividades e visuais a cada 5 segundos.¹

10 – Escolha campeões

Os recursos são escassos. Ao invés de diluir o investimento por toda cidade e ver resultados rarefeitos, raciocine de modo a prever onde poderá ser sentido o maior impacto com o menor investimento. Ruas que já possuem vocação e grande fluxo de pessoas devem ser as preferenciais. Qualificar os centros urbanos parece uma escolha natural. Costumam ser os espaços mais acessados e onde o alcance da experiência pode ser a mais percebida e a mais democrática possível.

Os dez passos acima são apresentados no excelente livro “Walkable City: How Downtown Can Save America, One Step at a Time.” de Jeff Speck.

Eduardo Sousa e Silva

 

nota:

1 – Dado citado no livro Walkable City, tradução livre: “…thriving commercial streets all over the world often have a façade length of 16–20 feet, which … means that there are new activities and sights to see about every five seconds.”

foto:

http://www.nbcnews.com/id/22097393/ns/us_news-life/t/dc-region-named-most-walkable-us/#.WBy1dS0rJhE

 

 

 

 

 

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